quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A Bela e a Fera

Era uma vez, uma pequena cidade chamada... Não. Era uma vez uma grande cidade, a mais movimentada e desenvolvida do seu país. Com milhões de habitantes, Recife abrigava as pessoas mais normais do mundo, desde estudantes até empresários. Nela viviam também das pessoas mais feias às mais bonitas. Das mais ricas às mais pobres. Das mais inteligentes às mais burras. Até porquê o que mais alguém pode ser além de bonito, rico e inteligente? Muita coisa. E os nossos personagens também vão dos mais bonitos aos mais feios. BEM feios...

A BELA E A FERA

Vamos começar pela Fera. Ele se chamava Eduardo. Eduardo era de longe a pessoa mais feia e horrível do mundo, sem exagero algum. Era tão feio que chamava a atenção de todos a sua volta. Seus olhos pareciam o mar em dia de sol, algumas vezes azuis, outras vezes verdes, os olhos mais angelicais que alguém já ousou ter. E era tão egoísta, que até as coisas mais simples e mundanas deveriam ser de sua exclusividade. Seu rosto tinha os traços perfeitos, joviais e sedutores. Seriam mais bonitos caso a sua arrogância não fosse tanta ao ponto de deformá-los um pouco. Seus lábios eram finos e bem desenhados. Talvez pelo fato de saírem apenas mentiras deles. Seu corpo era definido como o de um atleta e bronzeado levemente. Corpo este que ele faz de tudo para manter e consegue. Ele também faz de tudo para conseguir o que quer, tudo mesmo. Não importa quem esteja no seu caminho. Sua vaidade exacerbada fazia dele um homem perfeito: alto, forte e loiro. Sim, loiro.
Eduardo também era dono de uma inteligência imensa. Sempre fora o melhor da classe e sempre conseguiu os melhores empregos. Hoje é um dos empresários mais ricos e mais jovens do Brasil. Seu trabalho é a sua família. Pois cortou o vínculo com seus parentes alegando que eles estavam interessados no seu dinheiro.
Eduardo casou-se recentemente com a filha de um poderoso concorrente do ramo de imóveis. Seu sogro está internado no Hospital Real Português com um câncer de pulmão. A esposa de Eduardo era tão linda quanto ele e logo estaria herdando a empresa bilionária de seu pai e sem nenhuma força de vontade para administrá-la. Unindo o útil ao agradável, Eduardo se casou com ela. Agora os dois moram em um luxuoso apartamento em Casa Forte.
E vamos terminar pela Bela. Ela se chamava Luisa. Luisa era de longe a pessoa mais linda e elegante do mundo. Sua leveza encantava a todos, principalmente a leveza com a qual era caía no chão por tão ter visto uma pedra no caminho. Ela tinha 8,5 de miopia. Como não tinha dinheiro para lentes de contado, Luisa usava óculos de lentes tão grossas que faziam de seus olhos os mais estranhos do mundo. Porém, seu sorriso brilhava mais do que um colar de diamantes. Principalmente quando o seu aparelho fixo refletia na luz. Ao contrário do seu cabelo, que era opaco, cor de palha e sem vida. Ela tinha a pele de quem não tivesse ido à praia nos últimos dois anos. Mas era tão batalhadora a generosa, que mal dava pra perceber que tinha os olhos meio caídos. Sua sabedoria era tão grande, que escondia seus pequenos sete quilos a mais no peso. Luisa tinha muitos amigos, porém nenhum namorado. Tinha se formado na Universidade Federal há alguns meses. Era uma psicóloga procurando emprego. Morava com a mãe, a avó e duas irmãs em um pequeno apartamento em Setúbal. Trabalhava como vendedora em uma loja de roupas caras no shopping. Sua sorte era que sabia vender bem, pois seu chefe não gostava da sua aparência. Luisa continuava trabalhando lá para juntar dinheiro para o seu consultório.