quarta-feira, 30 de março de 2011

Céu

A luz não machuca mais os meus olhos. Pela manhã eu acordei com o som da minha cortina batendo na parede, vi que o céu estava nublado como nos sonhos que eu tenho. Então, quando levantei e coloquei o rosto na janela o vento frio veio me dizer bonne journée. Bonne Journné, enfant. E então eu fecho os meus olhos e respondo bonjour, le vent.
Quando lembro de você, penso em ir para a minha varanda fumar com a esperança de que você saia junto com a fumaça. Mas você não sai.
E agora só me resta ver o mar descolorir.

terça-feira, 22 de março de 2011

O menino com o piano debaixo da escada

E se eu mergulhar na sua profundidade, na sua escuridão, vou encontrar aquilo que você ignora e esconde de todos?
Tem medo que eu veja o quão belo você é?
Você procura na escuridão o seu refúgio, porque tem medo de se ver belo perante a luz.

Para você se amar, é preciso que alguém o ame primeiro?

domingo, 20 de março de 2011

Devaneio

Eu não lembro como eu cheguei até lá. Apenas cheguei sorrateira, não sei o que eu esperava no caminho, mas quando cheguei, tive certeza de que consegui. Talvez eu tenha conseguido me livrar daquelas correntes invisíveis que a vida me colocou, eu senti o peso delas se transformar em pó e sair pela janela abandonando o meu corpo. Foi como se aquela brisa de final de tarde as tivesse levado embora só por minha causa. E a única coisa que eu me lembro: dois olhos, olhando pra mim. Olhos que eu já conhecia, mas naquele instante eu os tinha visto de um jeito que eu nunca pensei que existisse.

Liberdade.