Apenas uma garota que não sabe o que quer.
Na verdade, na verdade, ela sabe muito bem! Porém existe uma força, acredito eu vir de dentro dela, que não a faz lutar pelo que quer. Não sei se foi porque durante toda a sua vida ela foi ensinada a apenas se conformar com as coisas, ou se ela simplesmente nasceu assim. Seja o que for, nenhuma das duas opções vai facilitar a sua história. Se é que podemos chamar a sua vida de história. Eu como psicólogo a diagnosticaria com transtorno bipolar! Na verdade eu não sei, acho que ela não seria tão assim para ter alguma doença dessas. Talvez o seu problema seja só preguiça.
O mais interessante sobre essa garota, é que ela (inconscientemente) viveu e vive sua vida inteira em função de ser diferente do pai. Mas parece que todos os seus caminhos seguem rumo a mais pura semelhança entre os dois. Ela tenta manter a mente aberta e o coração fechado, mas a sua essência é tão fraca que as funções se invertem.
Ela pensa que canta, mas ela não dança. Talvez ela só seja boa em atuar. Ela consegue incorporar diversos personagens e imitar diversas pessoas, mas eu sei que é esse o ritmo que ela usa para não ter que olhar para si mesma, pois ela sabe que quando isso acontecer, não encontrará nada.
E lá vamos mais uma vez para o último andar de um prédio.
Ela coloca os fones de ouvido no volume máximo, para não ouvir a sua própria voz ao cantar e se imagina no lugar dos personagens dos filmes, pois só assim ela poderá ter a ilusão de sentir um pouco de coragem brotar na sua mente e assim, pelo menos em diálogos imaginários, desafiar tudo aquilo que ela aceitara sua vida inteira. É algo tão surreal que eu não consigo nem ao menos imaginar a cena. Talvez se isso acontecesse, eu teria mais ânimo em vê-la todos os dias.
Ela adora cantores de rock (mesmo não sabendo o nome nem da metade deles), acha que eles são destemidos e que vivem seus sentimentos com muita intensidade. Eu entendo, é disso que ela precisa. Ela precisa se entregar para o mundo sem medo de se sujar. Não iria me impressionar se um dia ela simplesmente se revoltasse contra o tudo e se mudasse para o submundo junto comigo... Na verdade eu me impressionaria sim.
Não sei por que ainda perco meu tempo pensando nela, eu tão obcecado por pessoas diferentes, me prender a um “serzinho” que nem ela. Ela que muitas vezes ri de mim, muitas me odeia e muitas, dorme no meu colo. Pede-me para ensiná-la a ser forte, inteligente e segura. Eu muitas vezes me sinto professor ao seu lado, porém, por mais que eu seja mais esperto, corajoso, bonito e forte que ela, a sua voz me cala. Então eu fico mudo, vendo-a fazer o que quer da própria vida de um jeito tão imprudente e burro que me faz querer gritar. Gritar e mostrar a ela que por mais que tente me esconder e fugir de mim, eu sempre estarei aqui.
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