domingo, 10 de abril de 2011

Estação

E eu estou aqui, esperando por você. Minha mala estava tão pesada que me senti obrigada a colocá-la no chão. Já cansei de olhar o relógio e ver as pessoas passarem, me olharem com pena e depois seguirem em frente. Minha meia desfiou um pouco, mas não me importei. Meu estômago doeu um pouco, mas não me importei. Meus braços estão frios, mas não me importei. Meus dedos doem, mas eu não me importo. Sento, levanto, ando, paro, olho, olho mais uma vez. Perdi a conta de quantos trens já passaram, e de quantas vezes me imaginei com você dentro de um deles. Indo para aquela cidade onde nos conhecemos, acordar com as montanhas e sentir que temos um abrigo no frio, uma alma na chuva. Aquele jardim está nos esperando, aquela velha porta rangendo também, e eu também. Então eu sinto a sua mão, tão quente ir de encontro a minha nuca, agarra meus cabelos e desfaz o meu coque. Abro os olhos, não está mais ali. Não é mais nada, apenas eu e minha mala. E minhas meias, e minhas coisas, e meu casaco, e minha tristeza, e minha esperança e meu cansaço. Olho para o final do corredor e vejo alguém andando, um sobretudo, um cachecol, uma mala, um olhar baixo... Não, não é você. Longos minutos se estendem, longas horas também. E eu luto contra mim mesma, no fato de que você não virá, de que você deve estar tomando café em algum lugar muito longe daqui. Tento pensar em outras coisas na esperança de não adimitir que te esperei e você não veio. Penso nos trilhos, nas cabines, nas crianças chorando, nas famílias se despedindo, no maquineiro, nos bilhetes, no papel, na caneta, no caderno, nas palavras, nos enigmas, nas janelas, nos sofás e quando menos espero alguém chama meu nome de uma forma tão forte e suave que só você consegue fazer.

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