Não queria te acordar. Só liguei porque eu tive um sonho essa noite. Um sonho que me tirou o sono e me fez ter medo de dormir novamente. No sonho amor, fazia um dia lindo. Como naqueles dias em que nós íamos passear na praia, você lembra? Pois é. E então nesse dia você chegou e me disse... Você me disse amor, que antigamente o seu amor por mim era grande como o céu e lindo como uma divindade. Mas que agora ele estava menor, bem menor. E eu pensei “Como assim menor?”.
Juro que não acreditei. Eu perguntei mais uma vez e você confirmou. Não acreditei mais uma vez. Então eu precisei perguntar de novo, para ouvir você me dizer, que não estava dizendo adeus, mas que apenas não se sentia agora como se sentia antes. Então, antes de se retirar, você disse que estava atrasado para uma reunião.
Sabe amor, eu não culpo você. Uma parte de mim diz que eu já sabia que eu já sentia. Eu me lembro daquela vez em que te beijei e você tinha seus olhos abertos olhando para outro lugar. Eu vi, amor. Eu vi.
Quando nós estávamos juntos você me olhava como se eu fosse a menina mais linda do mundo. E agora amor, você me olha? O que eu não faria pra você me olhar daquele jeito de novo.
Antes eu achava que toda essa minha angústia não tinha necessidade. Mas depois desse sonho, amor. Ai, amor. Depois desse sonho...
sábado, 15 de outubro de 2011
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Monólogo do Ego
Apenas uma garota que não sabe o que quer.
Na verdade, na verdade, ela sabe muito bem! Porém existe uma força, acredito eu vir de dentro dela, que não a faz lutar pelo que quer. Não sei se foi porque durante toda a sua vida ela foi ensinada a apenas se conformar com as coisas, ou se ela simplesmente nasceu assim. Seja o que for, nenhuma das duas opções vai facilitar a sua história. Se é que podemos chamar a sua vida de história. Eu como psicólogo a diagnosticaria com transtorno bipolar! Na verdade eu não sei, acho que ela não seria tão assim para ter alguma doença dessas. Talvez o seu problema seja só preguiça.
O mais interessante sobre essa garota, é que ela (inconscientemente) viveu e vive sua vida inteira em função de ser diferente do pai. Mas parece que todos os seus caminhos seguem rumo a mais pura semelhança entre os dois. Ela tenta manter a mente aberta e o coração fechado, mas a sua essência é tão fraca que as funções se invertem.
Ela pensa que canta, mas ela não dança. Talvez ela só seja boa em atuar. Ela consegue incorporar diversos personagens e imitar diversas pessoas, mas eu sei que é esse o ritmo que ela usa para não ter que olhar para si mesma, pois ela sabe que quando isso acontecer, não encontrará nada.
E lá vamos mais uma vez para o último andar de um prédio.
Ela coloca os fones de ouvido no volume máximo, para não ouvir a sua própria voz ao cantar e se imagina no lugar dos personagens dos filmes, pois só assim ela poderá ter a ilusão de sentir um pouco de coragem brotar na sua mente e assim, pelo menos em diálogos imaginários, desafiar tudo aquilo que ela aceitara sua vida inteira. É algo tão surreal que eu não consigo nem ao menos imaginar a cena. Talvez se isso acontecesse, eu teria mais ânimo em vê-la todos os dias.
Ela adora cantores de rock (mesmo não sabendo o nome nem da metade deles), acha que eles são destemidos e que vivem seus sentimentos com muita intensidade. Eu entendo, é disso que ela precisa. Ela precisa se entregar para o mundo sem medo de se sujar. Não iria me impressionar se um dia ela simplesmente se revoltasse contra o tudo e se mudasse para o submundo junto comigo... Na verdade eu me impressionaria sim.
Não sei por que ainda perco meu tempo pensando nela, eu tão obcecado por pessoas diferentes, me prender a um “serzinho” que nem ela. Ela que muitas vezes ri de mim, muitas me odeia e muitas, dorme no meu colo. Pede-me para ensiná-la a ser forte, inteligente e segura. Eu muitas vezes me sinto professor ao seu lado, porém, por mais que eu seja mais esperto, corajoso, bonito e forte que ela, a sua voz me cala. Então eu fico mudo, vendo-a fazer o que quer da própria vida de um jeito tão imprudente e burro que me faz querer gritar. Gritar e mostrar a ela que por mais que tente me esconder e fugir de mim, eu sempre estarei aqui.
Na verdade, na verdade, ela sabe muito bem! Porém existe uma força, acredito eu vir de dentro dela, que não a faz lutar pelo que quer. Não sei se foi porque durante toda a sua vida ela foi ensinada a apenas se conformar com as coisas, ou se ela simplesmente nasceu assim. Seja o que for, nenhuma das duas opções vai facilitar a sua história. Se é que podemos chamar a sua vida de história. Eu como psicólogo a diagnosticaria com transtorno bipolar! Na verdade eu não sei, acho que ela não seria tão assim para ter alguma doença dessas. Talvez o seu problema seja só preguiça.
O mais interessante sobre essa garota, é que ela (inconscientemente) viveu e vive sua vida inteira em função de ser diferente do pai. Mas parece que todos os seus caminhos seguem rumo a mais pura semelhança entre os dois. Ela tenta manter a mente aberta e o coração fechado, mas a sua essência é tão fraca que as funções se invertem.
Ela pensa que canta, mas ela não dança. Talvez ela só seja boa em atuar. Ela consegue incorporar diversos personagens e imitar diversas pessoas, mas eu sei que é esse o ritmo que ela usa para não ter que olhar para si mesma, pois ela sabe que quando isso acontecer, não encontrará nada.
E lá vamos mais uma vez para o último andar de um prédio.
Ela coloca os fones de ouvido no volume máximo, para não ouvir a sua própria voz ao cantar e se imagina no lugar dos personagens dos filmes, pois só assim ela poderá ter a ilusão de sentir um pouco de coragem brotar na sua mente e assim, pelo menos em diálogos imaginários, desafiar tudo aquilo que ela aceitara sua vida inteira. É algo tão surreal que eu não consigo nem ao menos imaginar a cena. Talvez se isso acontecesse, eu teria mais ânimo em vê-la todos os dias.
Ela adora cantores de rock (mesmo não sabendo o nome nem da metade deles), acha que eles são destemidos e que vivem seus sentimentos com muita intensidade. Eu entendo, é disso que ela precisa. Ela precisa se entregar para o mundo sem medo de se sujar. Não iria me impressionar se um dia ela simplesmente se revoltasse contra o tudo e se mudasse para o submundo junto comigo... Na verdade eu me impressionaria sim.
Não sei por que ainda perco meu tempo pensando nela, eu tão obcecado por pessoas diferentes, me prender a um “serzinho” que nem ela. Ela que muitas vezes ri de mim, muitas me odeia e muitas, dorme no meu colo. Pede-me para ensiná-la a ser forte, inteligente e segura. Eu muitas vezes me sinto professor ao seu lado, porém, por mais que eu seja mais esperto, corajoso, bonito e forte que ela, a sua voz me cala. Então eu fico mudo, vendo-a fazer o que quer da própria vida de um jeito tão imprudente e burro que me faz querer gritar. Gritar e mostrar a ela que por mais que tente me esconder e fugir de mim, eu sempre estarei aqui.
domingo, 19 de junho de 2011
Self
Entre os outros ele se destaca. Ou pelo menos para mim. Ele é a minha tentativa frustrada de voltar ao paraíso, onde eu permaneço sozinha (ou sozinho) de olhos fechados olhando apenas para meus próprios pensamentos, no escuro e no calor da minha individualidade.
Talvez você possa entrar, talvez eu te atinja antes disso. Você pode tentar invadir, mas nunca saberá lidar com todas aquelas que moram dentro de mim.
Sou apenas um conjunto de almas, mesmo que antigamente eu tenha lutado contra elas. Até que cansei de lutar e deixei que elas me envolvessem e me afundassem na minha própria profundidade. No começo pensei que fosse morrer, depois que iria ficar doente. Mas isso levou apenas ao nascimento de uma nova alma, talvez até mais forte que as outras e mais fraca ao mesmo tempo, uma alma que traz liberdade a tudo que era reprimido.
Uma alma de poder destrutivo, uma alma de poder construtivo. Uma alma de poder.
Sei que os outros podem não me aceitar. Mas quatro paredes são o suficiente para abrigar todos os meus egos e todas as minhas tristezas. Consigo olhar para mim mesma e ver um lugar onde eu quero me perder, um lugar do qual eu não quero sair. Talvez eu esteja errada, talvez não.
Meu maior desejo é poder ficar aqui e fazer o que estou fazendo agora, na companhia dos meus fantasmas, lutando contra as minhas almas, vendo a sinfonia das máscaras que tenho dentro de mim, esperar até o momento em que todos esses seres irão gritar para o mundo e assim e só assim poderei enfim, ser compreendida.
Talvez você possa entrar, talvez eu te atinja antes disso. Você pode tentar invadir, mas nunca saberá lidar com todas aquelas que moram dentro de mim.
Sou apenas um conjunto de almas, mesmo que antigamente eu tenha lutado contra elas. Até que cansei de lutar e deixei que elas me envolvessem e me afundassem na minha própria profundidade. No começo pensei que fosse morrer, depois que iria ficar doente. Mas isso levou apenas ao nascimento de uma nova alma, talvez até mais forte que as outras e mais fraca ao mesmo tempo, uma alma que traz liberdade a tudo que era reprimido.
Uma alma de poder destrutivo, uma alma de poder construtivo. Uma alma de poder.
Sei que os outros podem não me aceitar. Mas quatro paredes são o suficiente para abrigar todos os meus egos e todas as minhas tristezas. Consigo olhar para mim mesma e ver um lugar onde eu quero me perder, um lugar do qual eu não quero sair. Talvez eu esteja errada, talvez não.
Meu maior desejo é poder ficar aqui e fazer o que estou fazendo agora, na companhia dos meus fantasmas, lutando contra as minhas almas, vendo a sinfonia das máscaras que tenho dentro de mim, esperar até o momento em que todos esses seres irão gritar para o mundo e assim e só assim poderei enfim, ser compreendida.
sábado, 21 de maio de 2011
breathe
Não sei quantas vezes eu te disse. Também não sei se elas foram sucifientes. Eu nunca tive problemas assim comigo mesma. Eu também nunca pensei que fosse chegar aonde eu cheguei, pro causa de você. Poderia chorar de saudade, como eu já fiz. Poderia mudar o mundo para você continuar nele. Porque você mudou a minha vida. E continua mudando. Não tenho certeza de quais caminhos eu vou seguir, mas eu quero que todos eles terminem na sua porta. Também não tenho certeza de quais serão as suas escolhas, mas quero que elas te arrastem para a minha...
Porque eu sem você. É como um apartamento vazio, sem pessoas e sem móveis. Sem você eu sou apenas uma mulher sentada no último andar de algum prédio sentindo o vento bater no meu rosto pela última vez. Eu não precisaria de coragem nenhuma, já que nada mais move o meu corpo além de você.
Porque eu sem você. É como um apartamento vazio, sem pessoas e sem móveis. Sem você eu sou apenas uma mulher sentada no último andar de algum prédio sentindo o vento bater no meu rosto pela última vez. Eu não precisaria de coragem nenhuma, já que nada mais move o meu corpo além de você.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
J'
Algo como um anjo me acordou no meio da noite. Eu não sei exatamente como ele era, nem o que disse a mim. Apenas segurou minha mão e der repente meu quarto se transformou em um dos meus sonhos. Aqueles em que eu não me sinto sozinha. Em um deles eu estava nas ruas de um museu em frente a um mar. Será você quem vem me buscar todas as noites? Porque se for, eu te pedirei para me dizer o seu nome da próxima vez.
Não sei por que, mas eu sinto que te conheço e que durante o dia você vem até mim, disfarçado atrás de dois olhos castanhos que quando me encaram afastam todos os meus medos e os meus defeitos. Serei eu merecedora das suas visitas? Eu sei que você enxuga minhas lágrimas enquanto eu rezo e acaricia meus cabelos enquanto eu durmo. Sei que por mais que a solidão me incomode você ainda está comigo, você ainda está me amando.
Não sei por que, mas eu sinto que te conheço e que durante o dia você vem até mim, disfarçado atrás de dois olhos castanhos que quando me encaram afastam todos os meus medos e os meus defeitos. Serei eu merecedora das suas visitas? Eu sei que você enxuga minhas lágrimas enquanto eu rezo e acaricia meus cabelos enquanto eu durmo. Sei que por mais que a solidão me incomode você ainda está comigo, você ainda está me amando.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Filos
Finalmente eu te conheci. Costumava apenas sonhar com você sem saber. Mas desde o dia em que nos encontramos eu soube. Eu soube, minha velha amiga que mesmo antes de saber seu nome você já fazia parte de mim, já habitava o meu subconsciente. Quando eu era pequena você me olhava enquanto eu dormia e fazia planos para mim. E agora escolhi ser sua fiel seguidora e farei com que o mundo a veja como eu vejo.
Sinto que estou cada vez mais perto de tirar o seu véu e ver seu rosto, porém, quando você olhar para mim e chamar meu nome não terá mais volta, a sua energia já vai ter entrado na minha mente completamente e então nós estaremos ligadas para sempre. Minha velha amiga, você não sabe quanto tempo eu esperei pela sua complexidade, mesmo ainda não sabendo que você era destino. Desde a minha infância mandava sinais para mim, me acompanhava quando eu estava sozinha. Minha amiga invisível, eu te vejo em todos os lugares e em todas as pessoas, você é a alma que acompanha todos os seres da terra, deixe-me acompanhá-la, prometo ser dos seus seguidores o mais leal e o mais dedicado. Tudo para conhecer-te, tudo para ver através dessa névoa que ainda nos separa. Eu serei digna, serei sim.
Sinto que estou cada vez mais perto de tirar o seu véu e ver seu rosto, porém, quando você olhar para mim e chamar meu nome não terá mais volta, a sua energia já vai ter entrado na minha mente completamente e então nós estaremos ligadas para sempre. Minha velha amiga, você não sabe quanto tempo eu esperei pela sua complexidade, mesmo ainda não sabendo que você era destino. Desde a minha infância mandava sinais para mim, me acompanhava quando eu estava sozinha. Minha amiga invisível, eu te vejo em todos os lugares e em todas as pessoas, você é a alma que acompanha todos os seres da terra, deixe-me acompanhá-la, prometo ser dos seus seguidores o mais leal e o mais dedicado. Tudo para conhecer-te, tudo para ver através dessa névoa que ainda nos separa. Eu serei digna, serei sim.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Cálice
Se você fosse meu...
De manhã eu acordaria sozinha, porém quando eu fosse até a cozinha você estaria lá.
A tarde apareceria na janela da minha sala dizendo que sente a minha falta e que me esperaria em casa.
E quando a noite caísse beijaria meus pés e me permitiria dormir no seu ombro.
E juntos assim naquela tarde de domingo, você olha para as gotas de chuva na janela enquanto eu, de olhos fechados, sinto a sua respiração. Mergulhados na profundidade que nós mesmos criamos. No nosso mundo onde nenhum outro ser pode entrar. Em uma casa onde todas as portas e janelas estão fechadas com um piano que só pode ser tocado por um fantasma. Eu não desejaria mais a liberdade se a minha prisão fosse você.
Como os balanços da minha infância, sozinhos no parque esperando que alguém os complete com delicadeza e beleza. Beleza esta que só posso encontrar enquando olho nos seus olhos, beleza esta que alimenta a minha alma com uma substância invisível e , a qual todos os homens já lutaram para conseguir mesmo sem saber. Não sei do que posso chamar. Para alguns é a cura e para outros é a morte, para mim porém, as duas. Assim como é para toda a humanidade.
De manhã eu acordaria sozinha, porém quando eu fosse até a cozinha você estaria lá.
A tarde apareceria na janela da minha sala dizendo que sente a minha falta e que me esperaria em casa.
E quando a noite caísse beijaria meus pés e me permitiria dormir no seu ombro.
E juntos assim naquela tarde de domingo, você olha para as gotas de chuva na janela enquanto eu, de olhos fechados, sinto a sua respiração. Mergulhados na profundidade que nós mesmos criamos. No nosso mundo onde nenhum outro ser pode entrar. Em uma casa onde todas as portas e janelas estão fechadas com um piano que só pode ser tocado por um fantasma. Eu não desejaria mais a liberdade se a minha prisão fosse você.
Como os balanços da minha infância, sozinhos no parque esperando que alguém os complete com delicadeza e beleza. Beleza esta que só posso encontrar enquando olho nos seus olhos, beleza esta que alimenta a minha alma com uma substância invisível e , a qual todos os homens já lutaram para conseguir mesmo sem saber. Não sei do que posso chamar. Para alguns é a cura e para outros é a morte, para mim porém, as duas. Assim como é para toda a humanidade.
domingo, 10 de abril de 2011
Estação
E eu estou aqui, esperando por você. Minha mala estava tão pesada que me senti obrigada a colocá-la no chão. Já cansei de olhar o relógio e ver as pessoas passarem, me olharem com pena e depois seguirem em frente. Minha meia desfiou um pouco, mas não me importei. Meu estômago doeu um pouco, mas não me importei. Meus braços estão frios, mas não me importei. Meus dedos doem, mas eu não me importo. Sento, levanto, ando, paro, olho, olho mais uma vez. Perdi a conta de quantos trens já passaram, e de quantas vezes me imaginei com você dentro de um deles. Indo para aquela cidade onde nos conhecemos, acordar com as montanhas e sentir que temos um abrigo no frio, uma alma na chuva. Aquele jardim está nos esperando, aquela velha porta rangendo também, e eu também. Então eu sinto a sua mão, tão quente ir de encontro a minha nuca, agarra meus cabelos e desfaz o meu coque. Abro os olhos, não está mais ali. Não é mais nada, apenas eu e minha mala. E minhas meias, e minhas coisas, e meu casaco, e minha tristeza, e minha esperança e meu cansaço. Olho para o final do corredor e vejo alguém andando, um sobretudo, um cachecol, uma mala, um olhar baixo... Não, não é você. Longos minutos se estendem, longas horas também. E eu luto contra mim mesma, no fato de que você não virá, de que você deve estar tomando café em algum lugar muito longe daqui. Tento pensar em outras coisas na esperança de não adimitir que te esperei e você não veio. Penso nos trilhos, nas cabines, nas crianças chorando, nas famílias se despedindo, no maquineiro, nos bilhetes, no papel, na caneta, no caderno, nas palavras, nos enigmas, nas janelas, nos sofás e quando menos espero alguém chama meu nome de uma forma tão forte e suave que só você consegue fazer.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Felicidade Alternativa
O que sou além de alguém em um divã com um terapeuta invisível? Falando as minhas dores para o vento, com a esperança de que ele as leve embora como o som da minha voz. Essa angústia vai se multiplicando dentro de mim como um câncer toda vez que você se faz ausente nas suas palavras. Porque a culpa sempre será minha, jamais sua. Afinal, criaturas do submundo jamais conseguirão ver a luz. Deveria me desculpar pelas cinzas dos meus cigarros espalhadas pela casa, mas é que quando o céu começa a descolorir eu sinto a necessidade de me descolorir também.
Hoje pela primeira vez no ano, eu vi o céu ficar preto e branco como num filme antigo, e desejei que você estivesse lá para ver comigo e comentar que prefere um dia de sol, depois rir quando eu discordar. Você é o modo mais simples de felicidade que alguém poderia sentir. Seus olhos castanhos tão desarmados e transparentes, invadem com tanta delicadeza os meus que de tão escuros se confundem com a pupila. Melhor que a brisa da primavera e o frio do outono é o seu olhar, o jeito como me abraça e me faz sentir sua, como eu nunca me permiti ser antes de outra pessoa. Você desceu da luz para me buscar no submundo. Não compreendo como um anjo foi olhar para uma simples mortal.
Hoje pela primeira vez no ano, eu vi o céu ficar preto e branco como num filme antigo, e desejei que você estivesse lá para ver comigo e comentar que prefere um dia de sol, depois rir quando eu discordar. Você é o modo mais simples de felicidade que alguém poderia sentir. Seus olhos castanhos tão desarmados e transparentes, invadem com tanta delicadeza os meus que de tão escuros se confundem com a pupila. Melhor que a brisa da primavera e o frio do outono é o seu olhar, o jeito como me abraça e me faz sentir sua, como eu nunca me permiti ser antes de outra pessoa. Você desceu da luz para me buscar no submundo. Não compreendo como um anjo foi olhar para uma simples mortal.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Liberdade Far
Você me lembra um sonho. Aquele onde não existem julgamentos, apenas uma infinita liberdade. Eu costumava me perder em vícios e me prender a pseudo-destinos, como se tivesse medo de mergulhar no vento e ensiná-lo a me guiar, como se o vento da minha vida fosse traiçoeiro o bastante para me fazer infeliz apenas com um sopro. Em meio a essa simplicidade como as coisas acontecem, eu vejo o seu olhar. O que pode ser mais simples, maravilhoso e livre, do que o olhar da pessoa que você ama? É como se eu me encontrasse de olhos fechados e abertos ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo que eu te sinto, eu te vejo. Flutuando em uma nuvem, ou voando acima da minha cabeça como um anjo... talvez você seja isso mesmo, um anjo. Anjo que eu quero proteger até de mim mesma.
domingo, 3 de abril de 2011
Jack
Pensei em você durante toda a escuridão. Pensei na maneira como você me intoxica com seu doce veneno de anjo negro. Achava que você viria com a noite e desapareceria com ela, mas me enganei. O sol agora já nasceu e a cidade começou a acordar, mas você continua dentro de mim como a nota mais bela que eu já toquei. Mas eu sei, que você não pode ser nada mais do que uma música para mim, a qual eu posso sentir, porém nunca tocar. Não quero que me conheça, apenas continue alimentando essa ilusão. Nunca vou passar de uma mentira tentando te conquistar. Se ao menos eu pudesse te colocar com o piano debaixo da escada e olhar enquanto você toca uma música que jamais será minha ou enquanto desvia o seu olhar para adimirar o horizonte. Direi que não vejo problema em você ir embora, enquanto as lágrimas do ciúme lavam o meu rosto sujo pelas máscaras que eu uso para não me render ao fato de que eu sempre desejo que você fique e me dê pequenos restos do seu afeto. Nem me lembro mais quantos cigarros eu fumei na esperança de encontrar um novo vício, um vício que não seja humano nem encantador como você. Um vício que me faça esquecer o jeito com que você me olha e fala comigo, como se de fato acreditasse que eu sou muito mais que uma criatura do submundo.
sábado, 2 de abril de 2011
Fotofobia
Nada como ficar sozinha antes das cortinas subirem. Aqui estou eu pronta para ser alguém que eu não sou, como sempre. Tais máscaras já fazem parte de mim, já se assemelham ao meu rosto. É por esse motivo que quando vejo meu reflexo naquele espelho velho e sujo do meu camarim mal iluminado, presto atenção no meu cabelo e na minha maquiagem, porque se eu me atrever a olhar no fundo dos meus olhos já não serei mais forte. Estou condenada a viver na periferia da luz, sempre rondando e observando, o único raio de sol no meu rosto foi o seu olhar e o único sopro de vento frio foi a sua voz. Você é como um anjo, eu como uma pobre mortal devo apenas sonhar com o seu amor. Eu vivo no purgatório enquanto você vive no céu. Você é tão puro, enquanto eu sou uma criatura do sub-mundo condenada a sonhar com a sua atenção enquanto recolho o que outras pessoas deixaram do seu amor.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Cinza
O outono chegou mais uma vez. Olho para os meus sapatos no chão molhado porque se eu me atrever a olhar mais acima, vou me perder novamente. Você parece lutar contra o frio do vento, assim como eu luto contra o encontro dos meus olhos com os seus, porque você me rouba para si de uma maneira tão doce que me encanta, me confunde.
É como um apartamento no inverno com piso de madeira. É como o céu sem cor quando chove. É o frio que me eu sinto quando os meus pés tocam o chão de manhã. Tão profundo, tão claro, tão cinza. Como você.
É como um apartamento no inverno com piso de madeira. É como o céu sem cor quando chove. É o frio que me eu sinto quando os meus pés tocam o chão de manhã. Tão profundo, tão claro, tão cinza. Como você.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Céu
A luz não machuca mais os meus olhos. Pela manhã eu acordei com o som da minha cortina batendo na parede, vi que o céu estava nublado como nos sonhos que eu tenho. Então, quando levantei e coloquei o rosto na janela o vento frio veio me dizer bonne journée. Bonne Journné, enfant. E então eu fecho os meus olhos e respondo bonjour, le vent.
Quando lembro de você, penso em ir para a minha varanda fumar com a esperança de que você saia junto com a fumaça. Mas você não sai.
E agora só me resta ver o mar descolorir.
Quando lembro de você, penso em ir para a minha varanda fumar com a esperança de que você saia junto com a fumaça. Mas você não sai.
E agora só me resta ver o mar descolorir.
terça-feira, 22 de março de 2011
O menino com o piano debaixo da escada
E se eu mergulhar na sua profundidade, na sua escuridão, vou encontrar aquilo que você ignora e esconde de todos?
Tem medo que eu veja o quão belo você é?
Você procura na escuridão o seu refúgio, porque tem medo de se ver belo perante a luz.
Para você se amar, é preciso que alguém o ame primeiro?
Tem medo que eu veja o quão belo você é?
Você procura na escuridão o seu refúgio, porque tem medo de se ver belo perante a luz.
Para você se amar, é preciso que alguém o ame primeiro?
domingo, 20 de março de 2011
Devaneio
Eu não lembro como eu cheguei até lá. Apenas cheguei sorrateira, não sei o que eu esperava no caminho, mas quando cheguei, tive certeza de que consegui. Talvez eu tenha conseguido me livrar daquelas correntes invisíveis que a vida me colocou, eu senti o peso delas se transformar em pó e sair pela janela abandonando o meu corpo. Foi como se aquela brisa de final de tarde as tivesse levado embora só por minha causa. E a única coisa que eu me lembro: dois olhos, olhando pra mim. Olhos que eu já conhecia, mas naquele instante eu os tinha visto de um jeito que eu nunca pensei que existisse.
Liberdade.
Liberdade.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
A Bela e a Fera
Era uma vez, uma pequena cidade chamada... Não. Era uma vez uma grande cidade, a mais movimentada e desenvolvida do seu país. Com milhões de habitantes, Recife abrigava as pessoas mais normais do mundo, desde estudantes até empresários. Nela viviam também das pessoas mais feias às mais bonitas. Das mais ricas às mais pobres. Das mais inteligentes às mais burras. Até porquê o que mais alguém pode ser além de bonito, rico e inteligente? Muita coisa. E os nossos personagens também vão dos mais bonitos aos mais feios. BEM feios...
A BELA E A FERA
Vamos começar pela Fera. Ele se chamava Eduardo. Eduardo era de longe a pessoa mais feia e horrível do mundo, sem exagero algum. Era tão feio que chamava a atenção de todos a sua volta. Seus olhos pareciam o mar em dia de sol, algumas vezes azuis, outras vezes verdes, os olhos mais angelicais que alguém já ousou ter. E era tão egoísta, que até as coisas mais simples e mundanas deveriam ser de sua exclusividade. Seu rosto tinha os traços perfeitos, joviais e sedutores. Seriam mais bonitos caso a sua arrogância não fosse tanta ao ponto de deformá-los um pouco. Seus lábios eram finos e bem desenhados. Talvez pelo fato de saírem apenas mentiras deles. Seu corpo era definido como o de um atleta e bronzeado levemente. Corpo este que ele faz de tudo para manter e consegue. Ele também faz de tudo para conseguir o que quer, tudo mesmo. Não importa quem esteja no seu caminho. Sua vaidade exacerbada fazia dele um homem perfeito: alto, forte e loiro. Sim, loiro.
Eduardo também era dono de uma inteligência imensa. Sempre fora o melhor da classe e sempre conseguiu os melhores empregos. Hoje é um dos empresários mais ricos e mais jovens do Brasil. Seu trabalho é a sua família. Pois cortou o vínculo com seus parentes alegando que eles estavam interessados no seu dinheiro.
Eduardo casou-se recentemente com a filha de um poderoso concorrente do ramo de imóveis. Seu sogro está internado no Hospital Real Português com um câncer de pulmão. A esposa de Eduardo era tão linda quanto ele e logo estaria herdando a empresa bilionária de seu pai e sem nenhuma força de vontade para administrá-la. Unindo o útil ao agradável, Eduardo se casou com ela. Agora os dois moram em um luxuoso apartamento em Casa Forte.
E vamos terminar pela Bela. Ela se chamava Luisa. Luisa era de longe a pessoa mais linda e elegante do mundo. Sua leveza encantava a todos, principalmente a leveza com a qual era caía no chão por tão ter visto uma pedra no caminho. Ela tinha 8,5 de miopia. Como não tinha dinheiro para lentes de contado, Luisa usava óculos de lentes tão grossas que faziam de seus olhos os mais estranhos do mundo. Porém, seu sorriso brilhava mais do que um colar de diamantes. Principalmente quando o seu aparelho fixo refletia na luz. Ao contrário do seu cabelo, que era opaco, cor de palha e sem vida. Ela tinha a pele de quem não tivesse ido à praia nos últimos dois anos. Mas era tão batalhadora a generosa, que mal dava pra perceber que tinha os olhos meio caídos. Sua sabedoria era tão grande, que escondia seus pequenos sete quilos a mais no peso. Luisa tinha muitos amigos, porém nenhum namorado. Tinha se formado na Universidade Federal há alguns meses. Era uma psicóloga procurando emprego. Morava com a mãe, a avó e duas irmãs em um pequeno apartamento em Setúbal. Trabalhava como vendedora em uma loja de roupas caras no shopping. Sua sorte era que sabia vender bem, pois seu chefe não gostava da sua aparência. Luisa continuava trabalhando lá para juntar dinheiro para o seu consultório.
A BELA E A FERA
Vamos começar pela Fera. Ele se chamava Eduardo. Eduardo era de longe a pessoa mais feia e horrível do mundo, sem exagero algum. Era tão feio que chamava a atenção de todos a sua volta. Seus olhos pareciam o mar em dia de sol, algumas vezes azuis, outras vezes verdes, os olhos mais angelicais que alguém já ousou ter. E era tão egoísta, que até as coisas mais simples e mundanas deveriam ser de sua exclusividade. Seu rosto tinha os traços perfeitos, joviais e sedutores. Seriam mais bonitos caso a sua arrogância não fosse tanta ao ponto de deformá-los um pouco. Seus lábios eram finos e bem desenhados. Talvez pelo fato de saírem apenas mentiras deles. Seu corpo era definido como o de um atleta e bronzeado levemente. Corpo este que ele faz de tudo para manter e consegue. Ele também faz de tudo para conseguir o que quer, tudo mesmo. Não importa quem esteja no seu caminho. Sua vaidade exacerbada fazia dele um homem perfeito: alto, forte e loiro. Sim, loiro.
Eduardo também era dono de uma inteligência imensa. Sempre fora o melhor da classe e sempre conseguiu os melhores empregos. Hoje é um dos empresários mais ricos e mais jovens do Brasil. Seu trabalho é a sua família. Pois cortou o vínculo com seus parentes alegando que eles estavam interessados no seu dinheiro.
Eduardo casou-se recentemente com a filha de um poderoso concorrente do ramo de imóveis. Seu sogro está internado no Hospital Real Português com um câncer de pulmão. A esposa de Eduardo era tão linda quanto ele e logo estaria herdando a empresa bilionária de seu pai e sem nenhuma força de vontade para administrá-la. Unindo o útil ao agradável, Eduardo se casou com ela. Agora os dois moram em um luxuoso apartamento em Casa Forte.
E vamos terminar pela Bela. Ela se chamava Luisa. Luisa era de longe a pessoa mais linda e elegante do mundo. Sua leveza encantava a todos, principalmente a leveza com a qual era caía no chão por tão ter visto uma pedra no caminho. Ela tinha 8,5 de miopia. Como não tinha dinheiro para lentes de contado, Luisa usava óculos de lentes tão grossas que faziam de seus olhos os mais estranhos do mundo. Porém, seu sorriso brilhava mais do que um colar de diamantes. Principalmente quando o seu aparelho fixo refletia na luz. Ao contrário do seu cabelo, que era opaco, cor de palha e sem vida. Ela tinha a pele de quem não tivesse ido à praia nos últimos dois anos. Mas era tão batalhadora a generosa, que mal dava pra perceber que tinha os olhos meio caídos. Sua sabedoria era tão grande, que escondia seus pequenos sete quilos a mais no peso. Luisa tinha muitos amigos, porém nenhum namorado. Tinha se formado na Universidade Federal há alguns meses. Era uma psicóloga procurando emprego. Morava com a mãe, a avó e duas irmãs em um pequeno apartamento em Setúbal. Trabalhava como vendedora em uma loja de roupas caras no shopping. Sua sorte era que sabia vender bem, pois seu chefe não gostava da sua aparência. Luisa continuava trabalhando lá para juntar dinheiro para o seu consultório.
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